MEUS
TEXTOS
Escada
traiçoeira
Fatima acordou com preguiça e muito feliz, pois,
na véspera, que tinha sido feriado,
fora numa festinha com seu
namorado e amigos em comum. Divertiu-se
muito, dançando, rindo, bebendo, namorando, queria virar a noite, mas sabia que não podia. Ainda
bem que o trabalho era de expediente vespertino.
Morava
numa casa de três andares, seus pais e
sua avó estavam viajando, para
aproveitar o feriadão, e o filho estava
na casa do irmão ,que era padrinho dele.
Ela dormia no terraço, era uma
espécie de apartamento,tinha
quarto, sala na frente e
banheiro, mas não tinha cozinha, mas
havia um espaço imenso, bem que
poderia ter uma cozinha e quem sabe, aumentar o quarto e ter
uma entrada separada para não
precisar entrar na casa , subir duas escadas. Estava pensando nisso, depois veria com o pai sobre
a possibilidade de fazer esse tipo
de obra. Quem sabe?
Rindo
da ideia, como ela não gostava de tomar
banho antes de tomar o café
da manhã, pois não gostava da
sensação de fome, então, todos os dias,
essa era a sua rotina, abria, pegava uma
roupa bonita, sandálias e bolsa, descia nas
escadas, sempre descalça,
colocava sua bolsa em cima da mesa, pendurava roupas, as sandálias jaziam perto da poltrona
da sala. Então, ia
à cozinha, fazia seu café da
manhã, acabado o desjejum, tomava
seu banho, botava a roupa, calçava suas sandálias, de salto alto,
penteava -se, colocava seu batonzinho esperto, se perfumava, pegava sua
bolsa, e trancava sua casa para ir ao
trabalho.
Mas,
nesse dia, como sempre fazia,com a sua
bolsa pendurada no ombro, com as roupas limpas e passadas num dos
braços,sandálias penduradas na mão do outro
braço, desceu devagar a primeira
escada, que era estreita, só tinha 13 degraus, mas no último degrau, que dava
para segundo andar, entre esse degrau e
um piso de mármore, tinha uma espécie de ralo, para que as águas da chuva não passassem para o segundo
andar, distraída, descalçada, enfiou o pé nesse buraco, e caiu, escorregando no
tapete, batendo a nuca na parede, e as
roupas, as sandálias e a bolsa com os
conteúdos espalhados pelo chão .
Ela
sentiu só a pancada na nuca, mas não
foi nada, tentou se levantar, mas assim que tocou o pé no chão, sentiu um estalo, e pensou:”Merda! Quebrou!”.
A
casa estava um silêncio. Fátima não
se intimidou.Sentou-se no chão, descendo de bunda a escada, com o pé
quebrado no alto, assim que chegou no último degrau, se levantou, pulou
como um saci, indo até a porta, viu pelo vidro da porta de ferro, uma vizinha, e gritou:
__Espere,
Maria! __destrancou a porta de ferro, com quatro fechos, afinal, Fátima
pôde abrir a porta , pedindo ajuda para telefonar para o seu pai, sem se lembrar que estava viajando.
Maria,
vendo o pé de Fátima, a acalmou, pedindo
o telefone de sua tia, que morava perto, Fátima apontou para o caderninho de telefone, que estava pousado
ali.
Fátima
se deitou, ela começou a sentir dor, estava
suando, não prestando atenção em Maria ao telefone
com a tia.
Dez
minutos depois, a tia chegou aflita, e imediatamente levou-a até o
táxi que estava parado na porta da casa , conduzindo-a à clínica ortopédica no
bairro vizinho.
Fátima
ficou numa cadeira de rodas, com o pé, que estava verde, amarelo, azul, roxo numa posição em que sentia menos
dor. Foi atendida duas horas depois, o médico pediu um raio-x ,
quando o técnico colocou seu pé na
posição ideal para tirar raio- x, ela viu estrelas. Voltando com o resultado, o
médico disse:
__
Vai precisar operar!
Fátima
suspirou , maldizendo a escada traiçoeira!
Sabia
que ficaria de molho por muitos meses...
Denise Fonseca

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