ALMAS
PENADAS
Alma
penada é uma entidade do universo sobrenatural da mitologia portuguesa. As
crenças populares reconhecem como sendo o espírito de pessoas falecidas que,
tendo deixado compromissos por cumprir na vida terrena, regressam a ela, sob
enigmáticas transfigurações (na forma de luzes, vozes, suspiros, animais,
vultos imprecisos, caveiras…), apelando ao socorro e à oração de familiares e
amigos.
Leite
de Vasconcellos escreveu que “as almas daqueles que morrerem sem restituir o
que devem voltam a este mundo, por favor de Deus, e imploram de algum amigo e
parente que restitua a cousa roubada”.1
Nos
seus estudos sobre mitologia popular portuguesa, o escritor e etnógrafo
Alexandre Parafita interpreta a figura da alma penada como uma inquietação
incontornável, perante o mistério da morte, que vigora nas culturas
tradicionais cristãs, segundo as quais a alma dos que morrem, após uma
existência arredia das convenções divinas, tem assegurado um de dois lugares no
Além, consoante a dimensão da sua culpa: o Inferno ou o Purgatório.
E
se o primeiro representa um “castigo eterno”, o segundo pode ser “um lugar
transitório, sendo permitido que as almas, após um período de purgação das suas
faltas, acabem por obter um lugar no Céu”. Para tal, “voltam a este mundo a
penar, em busca de auxílios para a resolução dos males que causaram em vida”.2
Interpretação
semelhante têm encontrado nas culturas tradicionais galegas antropólogos como
Gonzalez Reboredo. Segundo este estudioso, a crença nas almas penadas traduz as
inquietações de um povo aterrorizado pelos seus próprios delírios, ao mesmo
tempo que cumpre uma missão importante na lógica cristã: trata-se de um medo
que mitiga outro mais insuportável; os seres humanos aliviam o medo da morte,
acreditando que os mortos continuam vivendo.
http://www.acasadoespiritismo.com.br/temas/almas%20penadas.htm


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